sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Quando acaba um amor

Nossa, como é difícil acreditar quando o amor acaba.
Sem drama, sem sofrimento, simplesmente cada um foi para um lado da vida e não caminham mais juntos em uma só direção. Os interesses são outros, os desejos as vontades são diferentes, a vontade de viver a vida não é mais ao seu lado.

Como pode ser isso? Um dia acordados e acabou?
Acho que sim. Um dia acordamos e percebemos que estivemos dormindo por tempo demais. Que fechamos nossos olhos na rotina da vida, na luta pela sobrevivência, na criação dos filhos. Fechamos nossos olhos e paramos de sonhar para conseguir sobreviver, ter uma vida confortável e alcançar objetivos.
E quando alcançamos esses objetivos, quando percebemos que conseguimos sobreviver, que conseguimos superar os obstáculos e nos tornamos pessoas de sucesso? Olhamos para o lado e.... quem é mesmo essa pessoa?

Percebemos que nosso amor envelheceu. Que a pessoa não é mais a mesma. Que aquele brilho nos olhos se apagou, que a inocência não combina mais com esse rosto cansado, que os comportamentos infantis que achávamos tão bonitinhos já não cabem mais para uma pessoa daquela idade. Onde está meu companheiro? Aquela pessoa que sempre me apoiou, que lutou comigo em boa parte da vida, que sorriu, que chorou junto, que brigou comigo e me ensinou a crescer, a amadurecer. Cadê?

Se hoje cheguei até onde me encontro, foi com muita ajuda, companheirismo, dividindo ao meio um sanduíche e achando um barato, vivendo com a cabeça nas nuvens e os pés no chão.

Quando acordamos de repente, percebemos que cada um está em uma nuvem diferente, que passamos a desejar outras pessoas, que temos novos sonhos e que esses sonhos são distantes. De repente percebemos que o outro não cabe mais na nossa história, que não temos um personagem coadjuvante para ele e que o papel de um figurante não seria digno para uma pessoa que foi tão importante para nós.

Como encarar essa realidade? Como se separar dessa pessoa que é, ao mesmo tempo importante e insignificante?
Nos perdemos em nossa fragilidade. Não somos preparados para ver um amor acabar! Não nos ensinaram que o amor é para sempre? e o que fazemos com as lembranças da vida em comum?
Somos tentados a buscar a reconciliação a todo custo, rodando atrás de nossos rabos como cachorros desesperados. Tudo inútil. Prolongamos mais ainda nossas frustações e nosso sofrimento, nos enganamos porque somos condicionados a crer que o amor não pode morrer. Corremos o risco de morrer em vida em nome de um amor que jáse foi, que já nos abandonou no meio do caminho.

Encarar a realidade e fazer seu parceiro entender que o amor acabou é tarefa sofrida e talvez nos sintamos acovardados para dar essa notícia tão cruel. Mas o instinto de sobrevivência deve falar mais alto e pode ser mais sensato se agirmos com a nossa verdade para colocar um ponto final nessa tragédia anunciada. Quanto mais cedo acordarmos desse estado de sonolência e encararmos o fato, mais rápido poderemos nos abrir para um novo amor, cheio de novos sonhos e aventuras, de sanduíches partidos ao meio, de gargalhadas sem fim nas madrugadas, de um novo aolguém do seu lado.
De verdade.
RKS - 16/02/2010

sexta-feira, 14 de maio de 2010

A pedra e o furacão

Somos feitos de matérias diferentes. Não sou como você, que cresceu enraizado num amor e que espera com o tempo o fortalecimento de seu tronco e galhos, a abundância de sua copa, fornecendo sombra a outros casais apaixonados.
Sou feita de vento, num imutável destino de movimento, que chega e devasta o seu redor e segue, buscando outras vítimas. Ou buscando meu espaço de calmaria.
Nosso amor foi tão grande que hoje é impossível conviver com a noção de menos amor, de comodismo, de sentimentos paliativos como amizade, respeito, companheirismo. Buscamos amor, fomos moldados para viver o amor em sua plenitude. E sermos correspondidos.
Hoje vejo com tristeza a nossa relação recheada de sentimentos "nobres" que não substituem o amor.
Sei o que você sente por mim, essa paixão enlouquecida, essa necessidade de viver junto o resto da vida, de ser completo e estável ao lado de quem se ama. Mas é com muita dor e, diria até coragem, que constato que meu amor por você foi levado pelo fenômeno do furacão. Foi-se, fez uma varredura naquela intensidade que me completava e me combinava a você. Campo fértil e vazio, o destino me empurrou para outra história e meu coração se preencheu novamente de um amor tão intenso e arrebatador que não posso deixar de vivê-lo.
Compreendo profundamente o que você sente por mim, porque é o que eu sinto por outra pessoa, inclusive a dor de não ser correspondida como gostaria.
Te compreendo tanto que desejo a sua libertação, desejo que um furacão passe em seu coração e o devaste de uma vez, o limpe para a fertilização de um novo amor. Mas você se protege dessa catástrofe necessária. Se prende ao solo tal qual uma pedra. Me trancafia no subsolo de segurança da sua vida, me sufocando e tentando me manter apaixonada ao seu lado. No escuro sonhando com os dias ensolarados que não voltam mais para nós.
Deixa o vento levar esse amor que não se conforma em ser menos. Se abra para o arrebatador!
Já tentei te esquecer.
Já tentei te ressignificar.
Já tentei não pensar em você.
Mas porquê eu perderia
o que de bom tenho no meu dia?

RKS

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Ah, tem o texto "Amigos'

Tenho amigos que não sabem o quanto são meus amigos. Não percebem o amor que lhes devoto e a absoluta necessidade que tenho deles. A amizade é um sentimento mais nobre do que o amor,eis que permite que o objeto dela se divida em outros afetos, enquanto o amor tem intrínseco o ciúme, que não admite a rivalidade. E eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos! Até mesmo aqueles que não percebem o quanto são meus amigos e o quanto minha vida depende de suas existências .... A alguns deles não procuro, basta-me saber que eles existem. Esta mera condição me encoraja a seguir em frente pela vida. Mas, porque não os procuro com assiduidade, não posso lhes dizer o quanto gosto deles. Eles não iriam acreditar. Muitos deles estão ouvindo esta crônica e não sabem que estão incluídos na sagrada relação de meus amigos. Mas é delicioso que eu saiba e sinta que os adoro, embora não declare e não os procure. E às vezes, quando os procuro, noto que eles não tem noção de como me são necessários, de como são indispensáveis ao meu equilíbrio vital, porque eles fazem parte do mundo que eu, tremulamente, construí e se tornaram alicerces do meu encanto pela vida. Se um deles morrer, eu ficarei torto para um lado. Se todos eles morrerem, eu desabo! Por isso é que, sem que eles saibam, eu rezo pela vida deles. E me envergonho, porque essa minha prece é, em síntese, dirigida ao meu bem estar. Ela é, talvez, fruto do meu egoísmo. Por vezes, mergulho em pensamentos sobre alguns deles. Quando viajo e fico diante de lugares maravilhosos, cai-me alguma lágrima por não estarem junto de mim, compartilhando daquele prazer ... Se alguma coisa me consome e me envelhece é que a roda furiosa da vida não me permite ter sempre ao meu lado, morando comigo, andando comigo, falando comigo, vivendo comigo, todos os meus amigos, e, principalmente os que só desconfiam ou talvez nunca vão saber que são meus amigos!

A gente não faz amigos, reconhece-os.
Obs.:

Estranho alguém dizer em pleno século XXI que tem amores platônicos, né?
Rssssss
Pois é, ser humano é isso mesmo. Um universo ainda a ser explorado.
Porque isso acontece?
Porque amores platônicos ainda aconterem na Era da Informação, e, mesmo asim, se completam em si mesmos, em mera contemplação silenciosa? Porque a não necessidade de realização desse amor?

Sei lá. Só sei que é assim.

Queria ter escrito isso..

Sabe aquele texto que descreve tão bem uma situação ou sentimento que está em você, aquelas palavras que parecem terem sido escritas par você?

"Ai que raiva, gostaria de ter escrito isso!!"
"Ai que inveja! queria que esse texto fosse meu!"

É o que eu sempre digo.
Passso a partir de hoje a colocar textos escritos por outros autores e que me matam de inveja (rs!)


Começo com o Soneto do Amor Total, de vinícius de Morais, que me derrete toda de paixão por meus amores platônicos (ai que raiva não ter escrito isso... rssss)

Soneto do Amor Total

Amo-te tanto, meu amor ... não cante
O humano coração com mais verdade ...
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade.
Amo-te afim, de um calmo amor prestante
E te amo além, presente na saudade.
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.
Amo-te como um bicho, simplesmente
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente.
E de te amar assim, muito e amiúde
É que um dia em teu corpo de repente
Hei de morrer de amar mais do que pude.
Vinícius de Moraes

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Sobre brinquedos e meninos

Sempre tive medo de rodar nos brinquedos da pracinha quando criança. Ficava tonta, enjoada, com medo.
Hoje, vejo meus meninos rodando vertiginosamente nos brinquedos do parque de diversões: rodas, saltos, sobe e desce, jogos que fazem "perder o chão"! Torço para que essas experiências associadas ao medo e ao prazer os preparem para a vida!
Quando adultos, saltamos obstáculos, subimos e descemos a estrada inconstante da sobrevivência, rodamos vertiginosamente buscando saídas para os problemas, perdemos o chão ao final de cada relação.
Quando vejo meus meninos, sorrio e torço para que eles não tenham medo da vida. Que passem corajosamente por cima de seus medos e sintam prazer a cada etapa percorrida, a cada vitória alcançada, a cada volta da Grande Roda da Vida.

RKS - 16/02/2006