Somos feitos de matérias diferentes. Não sou como você, que cresceu enraizado num amor e que espera com o tempo o fortalecimento de seu tronco e galhos, a abundância de sua copa, fornecendo sombra a outros casais apaixonados.
Sou feita de vento, num imutável destino de movimento, que chega e devasta o seu redor e segue, buscando outras vítimas. Ou buscando meu espaço de calmaria.
Nosso amor foi tão grande que hoje é impossível conviver com a noção de menos amor, de comodismo, de sentimentos paliativos como amizade, respeito, companheirismo. Buscamos amor, fomos moldados para viver o amor em sua plenitude. E sermos correspondidos.
Hoje vejo com tristeza a nossa relação recheada de sentimentos "nobres" que não substituem o amor.
Sei o que você sente por mim, essa paixão enlouquecida, essa necessidade de viver junto o resto da vida, de ser completo e estável ao lado de quem se ama. Mas é com muita dor e, diria até coragem, que constato que meu amor por você foi levado pelo fenômeno do furacão. Foi-se, fez uma varredura naquela intensidade que me completava e me combinava a você. Campo fértil e vazio, o destino me empurrou para outra história e meu coração se preencheu novamente de um amor tão intenso e arrebatador que não posso deixar de vivê-lo.
Compreendo profundamente o que você sente por mim, porque é o que eu sinto por outra pessoa, inclusive a dor de não ser correspondida como gostaria.
Te compreendo tanto que desejo a sua libertação, desejo que um furacão passe em seu coração e o devaste de uma vez, o limpe para a fertilização de um novo amor. Mas você se protege dessa catástrofe necessária. Se prende ao solo tal qual uma pedra. Me trancafia no subsolo de segurança da sua vida, me sufocando e tentando me manter apaixonada ao seu lado. No escuro sonhando com os dias ensolarados que não voltam mais para nós.
Deixa o vento levar esse amor que não se conforma em ser menos. Se abra para o arrebatador!
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