Sempre tive medo de rodar nos brinquedos da pracinha quando criança. Ficava tonta, enjoada, com medo.
Hoje, vejo meus meninos rodando vertiginosamente nos brinquedos do parque de diversões: rodas, saltos, sobe e desce, jogos que fazem "perder o chão"! Torço para que essas experiências associadas ao medo e ao prazer os preparem para a vida!
Quando adultos, saltamos obstáculos, subimos e descemos a estrada inconstante da sobrevivência, rodamos vertiginosamente buscando saídas para os problemas, perdemos o chão ao final de cada relação.
Quando vejo meus meninos, sorrio e torço para que eles não tenham medo da vida. Que passem corajosamente por cima de seus medos e sintam prazer a cada etapa percorrida, a cada vitória alcançada, a cada volta da Grande Roda da Vida.
RKS - 16/02/2006
sexta-feira, 26 de setembro de 2008
O que os homens não vêem
Ah, os homens...
Quanta inveja eles têm.
Não vêem a mulher com olhos de mulher!
Quanta doçura, quanta beleza para olhar!
Foge a beleza física (após rápida olhadela)
e surge a aura!
Ah, a aura... A bula de toda mulher...
Porções exatas de cada ingrediente divino derramado sobre nós, grama a grama, litro a litro, gota a gota...
Ah, os homens...
Quanta inveja eles têm.
Penetrar a carne é profundo, mas tão raso!
Contentam-se com a superfície!
Não imaginam que, ao mergulhar, deslumbrar-se-iam com os jardins submersos de cada mulher.
Ah, os homens...
Quanta inveja eles têm.
Preferem prendê-las em gaiolas a deixá-las voar, soltas, livres...
Que piruetas sublimes elas dão no ar!
E seus cantos, suaves e firmes, nos fazem sonhar...
Ah, os homens...
Quanta inveja eles têm.
Não conseguem ver a aura...
A química de cada mulher.
Seu vôo livre e generoso, sua beleza do tamanho do mar.
Ah, a aura...
RKS - 16/02/2006
Quanta inveja eles têm.
Não vêem a mulher com olhos de mulher!
Quanta doçura, quanta beleza para olhar!
Foge a beleza física (após rápida olhadela)
e surge a aura!
Ah, a aura... A bula de toda mulher...
Porções exatas de cada ingrediente divino derramado sobre nós, grama a grama, litro a litro, gota a gota...
Ah, os homens...
Quanta inveja eles têm.
Penetrar a carne é profundo, mas tão raso!
Contentam-se com a superfície!
Não imaginam que, ao mergulhar, deslumbrar-se-iam com os jardins submersos de cada mulher.
Ah, os homens...
Quanta inveja eles têm.
Preferem prendê-las em gaiolas a deixá-las voar, soltas, livres...
Que piruetas sublimes elas dão no ar!
E seus cantos, suaves e firmes, nos fazem sonhar...
Ah, os homens...
Quanta inveja eles têm.
Não conseguem ver a aura...
A química de cada mulher.
Seu vôo livre e generoso, sua beleza do tamanho do mar.
Ah, a aura...
RKS - 16/02/2006
Sobre o cavalo azarão
Apostei no cavalo azarão.
Ganhei! Decepção.
Apostei no cavalo azarão.
Perdi! Meu tempo e meu coração.
Ah, cavalo azarão!
Nem serves para puxar carroça!
A carroça da minha vida quem puxa sou eu!
(Um ferro velho ambulante, repleto de cacos de vida, pares de esperanças perdidas, pedaços quebrados de uma ilusão...)
Ah, cavalo azarão!
Toma as rédeas da tua vida
e cavalgas para longe da minha!
nunca mais irei ao Jockey
ver os cavalos e apostar
Quem sabe o cavalo escolhido
não será mais um azarão?
Ah, cavalo azarão....
RKS - 01/09/2005
Ganhei! Decepção.
Apostei no cavalo azarão.
Perdi! Meu tempo e meu coração.
Ah, cavalo azarão!
Nem serves para puxar carroça!
A carroça da minha vida quem puxa sou eu!
(Um ferro velho ambulante, repleto de cacos de vida, pares de esperanças perdidas, pedaços quebrados de uma ilusão...)
Ah, cavalo azarão!
Toma as rédeas da tua vida
e cavalgas para longe da minha!
nunca mais irei ao Jockey
ver os cavalos e apostar
Quem sabe o cavalo escolhido
não será mais um azarão?
Ah, cavalo azarão....
RKS - 01/09/2005
As estrelas
A primeira vez que te vi, não vi mais nada. Só estrelas a brilhar.
Estrelas, uma chuva delas, caindo ao nosso redor. Suas palavras eram os sons da cachoeira. Nenhuma palavra, só água. Sua energia emanava perfume de flores, e até o seu cansaço te fazia brilhar.
A primeira vez que te vi, repetias o longo monólogo do início. Respondias às mesmas perguntas infinitas vezes. Iniciavas mais uma batalha; novamente se punhas a trilhar o mesmo caminho; o bom e velho caminho... Porém sempre tão novo...
A primeira vez que te vi, te segui. Destino inexorável, impossível de desviar. Impossível não te seguir. Eu segui rumo às estrelas.
Da última vez que te vi, tudo silenciou, tudo apagou. Calou-se o som da cachoeira. Apagaram-se as estrelas. Não senti mais seu perfume. Novamente, cumpriu-se o destino: amor, distância, solidão. Sofrimento.
Uma a uma, apagaram-se as estrelas.
RKS - 01/08/2006 - 07/12/2006
Estrelas, uma chuva delas, caindo ao nosso redor. Suas palavras eram os sons da cachoeira. Nenhuma palavra, só água. Sua energia emanava perfume de flores, e até o seu cansaço te fazia brilhar.
A primeira vez que te vi, repetias o longo monólogo do início. Respondias às mesmas perguntas infinitas vezes. Iniciavas mais uma batalha; novamente se punhas a trilhar o mesmo caminho; o bom e velho caminho... Porém sempre tão novo...
A primeira vez que te vi, te segui. Destino inexorável, impossível de desviar. Impossível não te seguir. Eu segui rumo às estrelas.
Da última vez que te vi, tudo silenciou, tudo apagou. Calou-se o som da cachoeira. Apagaram-se as estrelas. Não senti mais seu perfume. Novamente, cumpriu-se o destino: amor, distância, solidão. Sofrimento.
Uma a uma, apagaram-se as estrelas.
RKS - 01/08/2006 - 07/12/2006
Arlete e eu
Mais uma noite sem dormir. Com a vista cansada, ponho de lado os dois livros e as inúmeras revistas que alimentam a minha alma com novidades fresquinhas.
Li tantas matérias sobre tantos assuntos! Moda, viagem, ciência e tecnologia, teologia, psicanálise, arte...
Fecho os olhos e, mesmo sem dormir, sonho com uma praia em um belo dia de sol. Vejo a grande diva do cinema, teatro e tv, Fernanda Montenegro, de tailleur e óculos escuros importado, na varanda do hotel contemplando o mar.
O seu nome é Arlete Pinheiro Monteiro. Peço licença aos deuses (e que eles me castiguem!) e começo a desmontar a Fernanda: troco seu scarpin por sandálias Havaianas na cor azul; seu tailleur é substituído por um caftã solto e confortável; os cabelos estruturados são presos em um elástico e escondidos sob um boné.
Ar-le-te! Livre da personagem que a aprisiona. Agora, sorridentes, vamos tomar água-de-coco e conversar sobre a vida, olhando o mar. Falamos sobre as amarras que nos prendem os movimentos, sobre os teatros que temos que representar, sobre os personagens que ou outros acreditam que somos. Quando na vida a Fernanda Montenegro molharia seus pés no mar? Boné ou chinelos? Nossa, que sacrilégio!
Despir-se dos personagens que criamos é tarefa difícil, quase impossível, pois são todos os personagens que dão vida e sentido às pessoas ao nosso redor. Nossa tarefa é corresponder às expectativas.
Olhamos para o mar e concluímos: "Se nos roubaram o corpo, resta-nos ao menos a capacidade de sonhar..."
Arlete dá um sorriso e se vai, caminhando descalça e feliz pela beira do mar. Certamente Fernanda voltará a tomar seu corpo e a representar a diva que tanto admiramos e precisamos ter por perto. Mas, ao fechar os olhos antes de dormir, apenas a Arlete irá se lembrar do conforto do caftã, do sabor da água-de-coco ou do frescor da água do mar.
Também terei meu corpo possuído pela personagem que criei. Mas um sorriso subversivo sairá em meu rosto lembrando sempre que "sou mais forte do que eu". (Ah, a frase é de Carice Lispector. Li numa revista e a-do-rei!).
RKS - 03/03/2006
Li tantas matérias sobre tantos assuntos! Moda, viagem, ciência e tecnologia, teologia, psicanálise, arte...
Fecho os olhos e, mesmo sem dormir, sonho com uma praia em um belo dia de sol. Vejo a grande diva do cinema, teatro e tv, Fernanda Montenegro, de tailleur e óculos escuros importado, na varanda do hotel contemplando o mar.
O seu nome é Arlete Pinheiro Monteiro. Peço licença aos deuses (e que eles me castiguem!) e começo a desmontar a Fernanda: troco seu scarpin por sandálias Havaianas na cor azul; seu tailleur é substituído por um caftã solto e confortável; os cabelos estruturados são presos em um elástico e escondidos sob um boné.
Ar-le-te! Livre da personagem que a aprisiona. Agora, sorridentes, vamos tomar água-de-coco e conversar sobre a vida, olhando o mar. Falamos sobre as amarras que nos prendem os movimentos, sobre os teatros que temos que representar, sobre os personagens que ou outros acreditam que somos. Quando na vida a Fernanda Montenegro molharia seus pés no mar? Boné ou chinelos? Nossa, que sacrilégio!
Despir-se dos personagens que criamos é tarefa difícil, quase impossível, pois são todos os personagens que dão vida e sentido às pessoas ao nosso redor. Nossa tarefa é corresponder às expectativas.
Olhamos para o mar e concluímos: "Se nos roubaram o corpo, resta-nos ao menos a capacidade de sonhar..."
Arlete dá um sorriso e se vai, caminhando descalça e feliz pela beira do mar. Certamente Fernanda voltará a tomar seu corpo e a representar a diva que tanto admiramos e precisamos ter por perto. Mas, ao fechar os olhos antes de dormir, apenas a Arlete irá se lembrar do conforto do caftã, do sabor da água-de-coco ou do frescor da água do mar.
Também terei meu corpo possuído pela personagem que criei. Mas um sorriso subversivo sairá em meu rosto lembrando sempre que "sou mais forte do que eu". (Ah, a frase é de Carice Lispector. Li numa revista e a-do-rei!).
RKS - 03/03/2006
Redeslumbrar
Deslumbrar-se com as coisas de todo dia...
Uma ciência a desvendar.
Nobres almas se deslumbram
e redeslumbram no mesmo lugar.
todo dia o mesmo ar...
Minha pobre alma (alma pobre, coitada!)
impacienta-se, cansa de procurar!
corre e roda sem destino
sem a nenhum lugar chegar.
Como procurar?
Como aprender a se "redeslumbrar"?
Sede tanta, nunca farta
novos olhares a procurar
o novo deslumbrar...
Corro o mundo a vagar,
sem saber onde encontrar
a chave do "redeslumbrar"!
RKS - 21/02/2006
Uma ciência a desvendar.
Nobres almas se deslumbram
e redeslumbram no mesmo lugar.
todo dia o mesmo ar...
Minha pobre alma (alma pobre, coitada!)
impacienta-se, cansa de procurar!
corre e roda sem destino
sem a nenhum lugar chegar.
Como procurar?
Como aprender a se "redeslumbrar"?
Sede tanta, nunca farta
novos olhares a procurar
o novo deslumbrar...
Corro o mundo a vagar,
sem saber onde encontrar
a chave do "redeslumbrar"!
RKS - 21/02/2006
sexta-feira, 19 de setembro de 2008
A vida é feita de escolhas. Algumas boas, outras ruins. Mas o que importa é saber que suas escolhas te levam exatamente aonde você quer chegar.
Se você quiser segurança, você corta suas asas, se permite ficar em uma gaiola, vivendo a segura rotina de quem não quer se arriscar a voar. Há água, há comida, há o abrig contra as intempéries, há a paz. As suas escolhas te trouxeram a esta vida, e é assim que você se sente feliz.
Mas se, ao contrário, você se permite voar, logo percebe sangue correndo nas veias. respira-se rápido, todo o ar que puder, novos ares, sempre novos ares! Novos olhares, lugares a ver, pessoas a conhecer, destinos a enfrentar. Há a insegurança do novo, há o constante despertar, há o porvir.
Não adianta se culpar ou se enganar. São exclusivamente nossas as escolhas que compõem a nossa estrada. Tudo resulta do que somos, do que pensamos, o que desejamos. Deseje o céu e o céu terá; Deseje a terra e na terra ficará.
Tudo é questão de escolha. Com maturidade para entender esta constatação, fica fácil caber dentro de si ou se expandir. Fica fácil se amar e aceitar as coisas como elas estão. Estão, pois nada fica parado, tudo passa. E o que passa, outra coisa deixará no lugar.
RKS - 15/09/2008
Se você quiser segurança, você corta suas asas, se permite ficar em uma gaiola, vivendo a segura rotina de quem não quer se arriscar a voar. Há água, há comida, há o abrig contra as intempéries, há a paz. As suas escolhas te trouxeram a esta vida, e é assim que você se sente feliz.
Mas se, ao contrário, você se permite voar, logo percebe sangue correndo nas veias. respira-se rápido, todo o ar que puder, novos ares, sempre novos ares! Novos olhares, lugares a ver, pessoas a conhecer, destinos a enfrentar. Há a insegurança do novo, há o constante despertar, há o porvir.
Não adianta se culpar ou se enganar. São exclusivamente nossas as escolhas que compõem a nossa estrada. Tudo resulta do que somos, do que pensamos, o que desejamos. Deseje o céu e o céu terá; Deseje a terra e na terra ficará.
Tudo é questão de escolha. Com maturidade para entender esta constatação, fica fácil caber dentro de si ou se expandir. Fica fácil se amar e aceitar as coisas como elas estão. Estão, pois nada fica parado, tudo passa. E o que passa, outra coisa deixará no lugar.
RKS - 15/09/2008
Chove
Chove.
Uma chuva miúda.´Qual lágrimas de quem não quer partir.
Chove.
Uma chuva silenciosa, mostrando um sol tímido, lá longe no horizonte...
Qual esperança que não quer ser encoberta.
Chove.
Chove e, apesar de tudo, é bom molhar a terra, ver planta se transformar em alimento...
Qual beleza do futuro que está por vir.
Chove.
Apesar de molhado é refrescante.
Chove.
Para apagar os incêndios da alma.
RKS
Uma chuva miúda.´Qual lágrimas de quem não quer partir.
Chove.
Uma chuva silenciosa, mostrando um sol tímido, lá longe no horizonte...
Qual esperança que não quer ser encoberta.
Chove.
Chove e, apesar de tudo, é bom molhar a terra, ver planta se transformar em alimento...
Qual beleza do futuro que está por vir.
Chove.
Apesar de molhado é refrescante.
Chove.
Para apagar os incêndios da alma.
RKS
Tela minha
Preciosa!
Radiante como a luz das estrelas.
Estrela minha!
És meu raio de sol.
Fulgurante!
Seu brilho ilumina a todos.
Pérola minha!
És clara como a lua a brilhar.
Selvagem!
Mulher forte, que faz seu caminho.
Fera minha!
Sua pela a me arrepiar.
Imagem...
A construção idealizada de si mesma.
Tela minha!
Imprimo em você meus desejos.
RKS - 23/08/2008
Radiante como a luz das estrelas.
Estrela minha!
És meu raio de sol.
Fulgurante!
Seu brilho ilumina a todos.
Pérola minha!
És clara como a lua a brilhar.
Selvagem!
Mulher forte, que faz seu caminho.
Fera minha!
Sua pela a me arrepiar.
Imagem...
A construção idealizada de si mesma.
Tela minha!
Imprimo em você meus desejos.
RKS - 23/08/2008
Esse olhar
Não consigo me concentrar, só pensando na profundidade daquele olhar. Um olhar negro, brilhante, profundo. Mas, na última vez em que o vi, parecia coberto por uma névoa espessa.
Esse olhar às vezes brilha, às vezes diz "gosto tanto de você", às vezes se fecha em uma noite gris.
Esse olhar... Um enigma esse olhar!
Fecho os olhos, tento te ver, você não está.
Te olho com o meu corpo, te olho com minha mente, te olho com meu coração.
Te olho com os olhos da cidade.
Te contextualizo, te poetizo.
Te faço imortal.
Mas és apenas um olhar me dizendo que és impossível te decifrar.
RKS - 15/09/2008
Esse olhar às vezes brilha, às vezes diz "gosto tanto de você", às vezes se fecha em uma noite gris.
Esse olhar... Um enigma esse olhar!
Fecho os olhos, tento te ver, você não está.
Te olho com o meu corpo, te olho com minha mente, te olho com meu coração.
Te olho com os olhos da cidade.
Te contextualizo, te poetizo.
Te faço imortal.
Mas és apenas um olhar me dizendo que és impossível te decifrar.
RKS - 15/09/2008
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