segunda-feira, 29 de outubro de 2007

Senhor destinatário,

Venho por estas mal traçadas linhas cobrar algo que me roubaste: Minha paz.
Quando o digníssimo senhor esteve autorizado a fazer de mim objeto da sua sedução? Quem o autorizou a me convencer que seria uma pessoa especial? Quem permitiu tamanha doação de afeto?
Todos sabem que o amor é crime! É caracterizado como roubo, extorsão. Um coração aberto é frágil. Não se pode entrar e ocupar todos os espaços impunemente. Não senhor!!! O que será feito daquele sorrisinho fugitivo que insiste em ficar no rosto? Como esconder o brilho nos olhos, o maior de todos os delatores, o indicador de que há felicidade por dentro do corpo?
Ora senhor destinatário, amar é crime. Posso acusá-lo de apropriação indébita, furto de coração e agressão à emoção. Futuramente acusá-lo-ei de maus tratos a um amor e homicídio da paixão. Mais ainda: entrarei na justiça alegando abandono e cobrarei uma pensão.
Meu querido destinatário, devolva-me o que levaste e fuja enquanto é tempo. Minha vida pode parecer vazia, mas é assim que escolhi viver.
Atenciosamente...

RKS - 28/10/07

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